domingo, 6 de junho de 2010

Brasil 0 x 1 Argentina

Já que estamos em clima de Copa do Mundo, achei legal recordar esse texto que apareceu na seção Superpolêmica da Super, em abril de 2005. Nunca recebi tantas manifestações de leitores – vários me xingaram de traidor, ingênuo, estúpido e outras cositas más. Mas outros se sentiram identificados com minhas percepções, dizendo “puxa, sempre quis dizer isso!” Em homenagem a todos eles:

É difícil de acreditar, mas enquanto esculhambamos os argentinos, eles têm enorme carinho por nós

por Eduardo Szklarz

É a cena brasileira por excelência. No bar, na casa de amigos, tanto faz. Basta eu dizer que estou morando na Argentina para que todos lancem um olhar surpreso, misto de escárnio e piedade. Argentina? Mas que diabos você está fazendo lá com aqueles insuportáveis?? Já escutei de tudo. Que os argentinos são os europeus que não deram certo, que são bando de arrogantes, que nos chamam de “macaquitos” e por aí vai. A maioria diz isso sem nunca ter conhecido um legítimo exemplar dessa espécie controvertida. Não importa. Ser brasileiro requer o cumprimento de apenas três dogmas: gostar de feijão, acreditar piamente que Pelé é melhor do que Maradona e ter birra de argentino.

Intrigado com a polêmica, parti para uma pesquisa de campo. Queria investigar o que existe debaixo daqueles (montes de) cabelos. Nesses dois anos em solo inimigo falei com gente de todo tipo: taxistas, médicos, padeiros, artistas, estudantes, garçons... e confirmei minha hipótese. Parece difícil de acreditar, mas enquanto esculhambamos os argentinos, eles têm enorme carinho por nós. Não é mera impressão minha. A simpatia pelo Brasil está nas televisões, escolas, centros culturais. Quando sai comigo à noite, um amigo que morou no Brasil só fala em português e se finge de brasileiro para ser bem tratado – inclusive pelas mulheres. As ruas estão cheias de bandeiras brasileiras e a moda aqui é usar sandália havaiana. Seja sincero: você sairia por aí usando chinelo com bandeira da Argentina?

Seria cômodo dizer que essas diferenças refletem as contradições entre o tropicalismo e o europeísmo. Ou que é tudo fruto de nossos desencontros linguísticos e históricos. Mas me permitam ir direto ao ponto: os brasileiros pararam no tempo. Insuflado por locutores e comentaristas, o antiargentinismo extrapolou o mundo do futebol e talvez seja hoje o único caso de unilateralismo brasileiro. É produto de um Brasil tacanho, preconceituoso. No fundo, dizer “odeio argentinos” não é menos discriminatório que dizer “odeio negros” ou “odeio homossexuais”. Quem persegue boleiros argentinos simplesmente por serem argentinos não pode reclamar quando espanhóis xingam Roberto Carlos não por suas qualidades como jogador mas pela origem mulata.

Sempre seremos rivais no futebol, mas não precisamos limitar nossa relação à velha briga boleira Os argentinos, mais inteligentes, já se deram conta disso. Eles cantam as músicas dos Paralamas do Sucesso, jogam capoeira, viajam pelo Brasil e estão aprendendo português. As rádios dedicam programas à nossa música. Charly Garcia, o cantor mais popular do país, conclama os argentinos a levantar o astral e se espelhar em nós, lembrando que la alegría no es solo brasilera na música “Yo no quiero volverme tan loco”. Os brasileiros mal sabem citar uma banda argentina. Mas adoram ficar exaltando a esperteza do samba ante a melancolia do tango – mesmo sem nunca ouvido falar nas chatinhas, mas festeiras, cumbia e chacarera.

Como todo país de dimensões continentais, é natural que o Brasil seja autocentrado. Mas mesmo os Estados Unidos são mais permeáveis à cultura mexicana do que nós em relação à dos nossos vizinhos. O brasileiro comporta-se igual a um caipira americano, daqueles que acham que a capital do Brasil é, ironicamente, Buenos Aires.

O erro está em concebermos sociedades estáticas. Durante um tempo, a Argentina parecia de fato um pedaço da Europa por estas bandas pobres. No início do século XX, entraram quase 300 imigrantes europeus para cada mil habitantes, o triplo da média americana. Os salários no país superavam os da Inglaterra. Talvez venha daí a arrogância que gerou antipatia no resto do continente. Mas se existe algo positivo nas crises econômicas que os argentinos têm vivido é a maior consciência de serem latino-americanos – até porque os imigrantes de hoje vêm da Bolívia, Peru e Paraguai.

A rivalidade Brasil x Argentina pode até existir entre alguns líderes políticos e militares, mas não entre os povos. Porque rivalidade, segundo o dicionário, significa competição, oposição, luta. E não há nada disso do outro lado da fronteira. Somos nós que estamos tentando provar que o ditado “se um não quer, dois não brigam” está errado. Estamos empenhados em arranjar confusão com um povo que só quer se divertir conosco.

15 comentários:

  1. Oi Eduardo,

    Gostei muito do seu texto e concordo plenamente com você. Sempre digo isso para os meus amigos em S.Paulo. Muitos parecem ter "parado no tempo" e insistem em se manter naquela ideia antiquada sobre a Argentina. Percebo, porém, que vários já começam a mudar. Acho que o fato de as pessoas poderem viajar mais para a Argentina está contribuindo para esta mudança. Adriana

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  2. OI Eduardo.
    Sou argentina e moro no Brasil há quase 30 anos. Concordo plenamente que não podemos dizer que brasileiro goste de argentino, mas também posso afirmar que nunca fui realmente hostilizada por causa da minha nacionalidade, tudo não passou de brincadeiras, jamais me sentí ofendida por comentário algum. Também posso confirmar que o brasileiro só fala mal da Argentina até que a conhece, depois cai de amores por ela. E este sentimento é recíproco. Tem argentinos que falam mal do Brasil só até que o conhecem, depois ficam "enamorados". Quando estou lá e falo que moro no Rio todo mundo morre de inveja de mim. Será que é para tanto? Falando a pura verdade: a gente é irmão e como irmão se ama, se odeia, se admira,se inveja, briga, se abraça e chora junto quando o outro sofre... tá, claro que deixando o futebol de lado... ai o gostinho ruim aparece porque sabemos mutuamente que o outro é muito bom!!!

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  3. Eduardo,

    Adorei o texto! Sou uma brasileira apaixonada pela argentina, mas ainda pelos argentinos, no próximo ano me mudo para viver com meu namorado que é argentino. O que eu mais gosto de Buenos Aires é a educação e a cultura.
    O que eu sinto é que nós o brasileiros temos um pouco de complexo de inferioridade e prova disso é que já foi tratada melhor em alguns lugares por estar acompanhada de um estrangeiro e acreditaram que eu tb fosse.
    Como disse a argentina no post de cima, acredito que nos gostamos e a exceção é o futebol.
    Angélica.

    P.s.: Meu namorado adorou as propagandas dos argentinos do samba!

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  4. Hoje, 5 anos depois de ter escrito aquele texto, percebo que a imagem que muitos brasileiros têm dos argentinos realmente vem mudando. Como diz a Adriana, as visitas mais frequentes a Buenos Aires têm contribuído para desfazer preconceitos. Concordo com a argentina que mora no Brasil há 30 anos: a coisa passa mais pela brincadeira do que exatamente por uma hostilidade, ainda bem! Mas às vezes essas brincadeiras incomodam bastante, coisas do tipo "seu filho vai ser argentino, hein?". O jeito é brincar também. É, Angélica, acho que todos nós, brasileiros e argentinos, temos um pouco de complexo de inferioridade. E isso passa muito pela condição econômica: nos anos 90, quando os argentinos estavam com câmbio forte (1 dólar = 1 peso), muitos chegavam com ares de superioridade no litoral brasileiro - e geraram resistência dos moradores locais. Hoje, são os brasileiros os donos da grana, e inundam Buenos Aires nos passeios de compra. Mas as identidades não são estáticas, assim como a relação entre os vizinhos. E, ojalá, ninguém fique muito agrandado no Mundial! abs!

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  5. Adorei o texto! Pura verdade! Não tenho absolutamente nada contra os "hermanos"! Ao contrário!

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  6. Juan Carlos Peña17 de junho de 2010 15:58

    Cada dia que pasa,nos damos cuenta que el mundo es nuestra verdadera casa,y que los idiomas son solo pequeñas diferencias que nos separan un poco,hasta que las personas se conocen mejor y se dan cuenta que tienen padres y madres,hijos y problemas similiares.
    Las futuras generaciones tienen a Internet para conocer gente de todas partes y hacerse de amigos en cada pais gracias a conservar el email de la persona que se conoce.
    Ademas si no entienden el idioma,internet le da una barra de traduccion.
    Ya quedan pocas barreras para que la gente se sienta solo gente y no otra cosa.
    Viva Brasil,Argentina,Uruguay,Bolivia,Congo,Nueva Zelandia y Rusia.
    Si Argentina queda eliminada hinchera por un pais sudamericano.
    Viva sudamerica unida y el mundo como una aldea global.
    Eu quero ter un millon de amigos,y bem mais forte poder cantar.

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Eduardo, gostei muito do seu texto! É verdade que já houve um período mais arrogante por parte dos argentinos com respeito aos demais países da América Latina mas, como vc mesmo disse, com a conversibilidade, que permitiu que muitos argentinos conhecessem o Brasil e sua gente, além da última crise, houve um ponto de inflexão. Passamos a ser exemplo em muitos aspectos sociais e econômicos.

    O que me chama atenção é como uns quantos brasileiros observam, vêem, se referem à Argentina com pena, com lástima, como se aqui fossem quase miseráveis. E um certo desprezo. Terá piorado com a melhor situação econômica do Brasil? Agora é a vez do Brasil ostentar? É incrível o poder da mídia brasileira para deteriorar a imagem da Argentina em todos aspectos! Sou carioca e vivo há 12 anos em Buenos Aires, cidade que, em comparação ao Rio de Janeiro, tem mais segurança, melhor educação pública, melhor saúde pública, enfim, melhor qualidade de vida, apesar da crise sofrida e problemas políticos e econômicos.

    Arrogância: Eles, até a crise - Nós, pós-crise?

    Ainda hoje vc encontrará argentinos que vêem o Brasil como “país de macaquinhos”, infelizmente. Por sorte, sinto ser uma minoria extremamente ignorante, preconceituosa.

    O Brasil está cada vez mais presente na vida do povo argentino: seja na cultura, no mundo empresarial, na política. E o contrário também, em menores proporções. Falando nisso, lembrei-me de um diplomata brasileiro na Argentina que sempre dizia: “Há conflitos comerciais entre o Brasil e a Argentina porque existe negócio. Se não houvesse interesse de ambas partes, não haveria conflito”.

    Depois de tantos anos aqui, ainda noto a diferença entre a forma fresca, aberta e receptiva de ser do brasileiro, mais relax, que está presente desde o primeiro contato, geralmente, e a formalidade e forma imperativa de falar do argentino. Mesmo assim, o argentino que já conhece o Brasil (e geralmente se apaixona) trata de comportar-se como um brasileiro, dando ênfase à simpatia, quando encontra outro brasileiro! E eu, com o passar dos anos, também “absorvi” um pouco da forma de ser do argentino. Mas isso já é uma questão cultural. Tema à parte.

    Creio que o intercâmbio cultural é o que fará que estas aberrações deixem de existir. Como mencionei antes, na época do 1 a 1 os argentinos tiveram a grande oportunidade de conhecer mais o Brasil. Agora é a vez dos brasileiros.

    A verdade é que me cansa o bairrismo, a melhor cidade/Estado/País para se viver. Todo lugar tem seus prós e contras. Quem é melhor povo. Aprendamos de uma vez por todas a respeitar a cultura alheia, dentro e fora do seu país. A bandeira, a fronteira foram criados pelo homem.

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  9. Oi Cristiane,
    obrigado por compartilhar seu ponto-de-vista. Sim, também noto que o brasileiro em geral tem uma forma mais fresca, mais relax de se relacionar. Sinto falta disso aqui: o pessoal não costuma dizer abertamente o que pensa, dá voltas retóricas enormes, e a formalidade da linguagem às vezes não condiz com a informalidade dos atos! E é incrível como passam do extremo formalismo para uma bela "puteada", hehe. Também há esquemas sociais do tipo amigas saem juntas, amigos saem juntos, cada um do seu lado, belos clubes da luluzinha e do bolinha. Mas é como você diz: os que têm contato com brasileiros gostam do jeito mais aberto, e não é fácil fugir dos condicionamentos. Nada é tão forte quanto um costume bem instalado, não? Sobre o novo fluxo de turistas em função do câmbio, sim, acho que agora é a vez do brasileiro de ser "soberbio". Muita gente que trabalha em loja em Buenos Aires anda reclamando da arrogância de brasileiros que vêm cheios de grana pra gastar! Um grande abraço, Eduardo.

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  10. Valeu Tamara e Juan Carlos!
    Abraço, Eduardo.

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  11. Eduardo querido conversei com seu pai hoje e consegui o seu endereço do blog. Belo Texto. Verdadeiro. Te envio o endereço do blog do Sorín, jogador argentino que jogou no Cruzeiro aqui em Belo Horizonte, agora mora aqui, e é um grande ídolo na Argentina e em Belo Horizonte em especial. Acho que você vai gostar.
    www.blogsorin.com
    a NOIR está fazendo a assessoria.
    Beijo grande prar você sua esposa e para o nenen que por aí vem. Seja feliz.
    Angela Azevedo

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  12. Angela!! Que bom que me achou aqui! Estive com tempo exíguo, mas vou escrever mais esta semana. Obrigado pela dica do blog do Sorín. Lembro de uma vez que o entrevistei na AFA, falando em português. Claro que ele não se lembrará! Muito obrigado e um beijão.

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  13. Muito interessante o relato. Como brasileiro que vive em Bs As há dois anos, concordo quase integralmente com o que foi dito. De fato, a imagem do Brasil para qualquer pessoa que eu conheça da minha faixa etária - de 35 anos para baixo - é muito positiva em todos os aspectos (culturais, políticos, economicos, empresariais), e até mesmo como modelo a ser seguido. Meus amigos argentinos admiram imensamente o nosso país, muito mais do que qualquer outro vizinho (até mesmo o Chile, um país com excelente nivel de vida mas que não goza de nenhuma simpatia aqui).

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  14. Só gostaria de colocar minha discordância em dois pontos:


    1- Em relação ao que a Cristiane falou, sobre a maneira como a mídia brasileira trata a Argentina. Não vejo depreciação alguma, pelos jornais que leio na Internet. Quem deprecia a Argentina é esse governo da Cristina Kirchner, que promove empobrecimento, inflação, corrupção, etc, etc, e onde nem as estatísticas oficiais são aceitas por órgãos internacionais e revistas de economia, por serem comprovadamente falsificadas e maquiadas. Isso sim é depreciação. A mídia brasileira, pelo que acompanho na Internet, tem uma cobertura muito boa do que ocorre, e poderia inclusive ser muito mais crítica e dura do que é. Quanto a comparação entre RJ e Bs As, primeiro aponto que nem o Brasil é o RJ, nem a Argentina é Bs As – há coisas ruins no Brasil q só existem no RJ (ou em certa escala, só no RJ), há coisas boas na Argentina q só há em Bs As. As províncias que conheci mostram bem porque esse governo Kirchner é uma vergonha total, a produção é estancada, a iniciativa privada é tolhida e quase todo mundo é empregado do Estado, e quem não é, passa fome, as vezes literalmente, pois não há onde trabalhar (isso talvez explique a tolerância inexplicável aos nossos olhos ao hábito da siesta em grande parte do interior argentino). Não há cidades médias no interior argentino como Londrina, Franca, Caxias do Sul, Joinville, Juiz de Fora e outras q temos no Brasil, que apesar da pouca população tem grande PIB e muito progresso. Depois, Bs As tem 3 milhões de habitantes, e o Rio, mais do que o dobro, os problemas e vantagens que há são em escala distinta (a UFRJ, por ex, onde fiz meu mestrado, dá de pau na UBA, por ex., assim como a Biblioteca Nacional do Rj é a maior da América Latina) e discordo totalmente qto a saúde pública, já fui atendido em hospital público daqui e é assustador o que se vê, os hospitais públicos em que fui atendido no Brasil tanto no Rio qto em Porto Alegre (de onde sou) são muito melhores e os médicos muito mais éticos (por incrível que possa parecer – nem vou relatar o que me aconteceu quando fui atendido...). Qto a segurança, Buenos Aires é a capital mundial de assaltos por habitante, superando por muito tanto RJ qto São Paulo (sim, é verdade) eu sou testemunha desta triste estatística: em dois anos fui assaltado aqui três vezes e nenhuma no Rio e em POA. Isso tudo é fruto do governo Kirchner, que está minando esse país dia após dia até em setores mais básicos e essenciais para um país se organizar minimamente . Em resumo, se a mídia brasileira trata a Argentina dessa forma é porque não faltam motivos para que isso ocorra, e se eu começar a lista-los não paro mais. Torço para que o kirchnerismo seja derrotado nas próximas eleições, mas acho complicado, o peronismo é ainda forte aqui e agradeço a Deus pela família da minha noiva ser anti-peronista, no caso de eu ficar por aqui.

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  15. 2- Discordo, Eduardo, quando vc diz que nós jamais usaríamos uma roupa ou adereço com a bandeira argentina. No Brasil se ve jovens sim com camisa da seleção argentina, nos estádios tb em jogos de clubes (já vi membros de torcidas do Corinthians e do Grêmio com essa camiseta, coisa q nunca vi aqui em relação a camisa da Seleção) e nem falar dos ídolos argentinos no futebol brasileiro – basta lembrar da febre Carlitos Tevez. O brasileiro , tirando os preconceitos bobos e ultrapassadíssimos, gosta sim da Argentina, embora conheça-a pouco pelos motivos que vc muito inteligentemente citou (tamanho do país, autocentramento decorrente disso, etc.) Conforme for conhecendo mais e mais pelo turismo crescente as coisas melhorarão ainda mais.

    Motivo pelo que discordo, também, da terceira característica basica q vc elencou do 'ser' brasileiro. Creio que não é verdadeira. Já da segunda, concordo plenamente e te digo que já conheci argentinos que concordam conosco, principalmente os mais velhos q viram os dois jogarem!!! Incrível, não?


    Uma última palavra sobre a maneira do argentino ser, que foi abordada pela Cristiane e por vc: antes de estabelecer qualquer comparação deste tipo, e até para evitarmos cair em simplificações, é importante a gente deixar claro de que região do país se fala, pois nosso Brasil é um continente de povos, raças e maneiras de ser e estar diferentes. Creio que vcs dois são cariocas, pelo que entendi, e por isso se explica a estranheza com o tom de voz e a atitude dos argentinos. É o mesmo tipo de estranheza que os amigos cariocas que fiz no Rio sentiam quando visitavam o Sul do país (POA ou Curitiba), diziam que os gaúchos falávamos dando ordens, com tom de voz antipático e éramos por vezes demasiado formais ao tratar das coisas (e os paranaenses, adicione-se a isso a característica de frios e distantes). Para mim, que fui criado num meio distinto do de vcs, com uma maneira distinta tb de estabelecer relações humanas, o argentino é um sujeito extremamente divertido, bem humorado e muito hospitaleiro. No que respeita ao trato pessoal, sinto-me muito bem vivendo aqui, gosto da efusividade italiana do portenho, da frontalidade, das piadas, do gosto sincero em receber as pessoas, do contato corporal que eles descontraidamente tem, enfim, de tudo. Nesse ponto, nada a dizer de mau. E digo mais, já visitei outros países da América Hispanica e acho os argentinos bem mais “de boa” e informais que os vizinhos, os chilenos, por exemplo, são incomparavelmente mais formais, sóbrios e fechados, embora sejam educadíssimos e Santiago um exemplo de cidade.


    Enfim, Eduardo, peço-lhe desculpas pela "Bíblia" q escrevi e quero lhe parabenizar pelo texto inteligente, de certa forma pioneiro, muitíssimo bem informado e muito bem escrito. Desejo-lhe todo o sucesso em sua carreira jornalística e felicito a SuperInteressante, revista q acompanho desde criança, por te-lo publicado. Parabéns pelo talento e pela competência. Um abraço!!



    Ricardo


    PS: Aqueles que te chamaram de ingenuo disseram o que? Isso sim me deixa curioso. Duvido que tenham estado aqui alguma vez.

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